Puçá

Ark of taste
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The puçá (Mouriri pusa) also known as puçá-preto, puçá-preta, jabuticaba-do-cerrado, mandapuçá, manapuçá, munduru, is a fruit native to Brazil, found in the cerrado, vassoi and caatinga areas of southeast Pará, northeast, central Brazil and Minas Gerais.
The puçá belongs to the Melastomatáceae botanical family and is a medium sized tree, usually between 4 and 8 meters high. It has a tortuous trunk, with brownish to grayish bark, scaly, flaking in thin slabs. Its crown is thin, with subcoriaceous leaves about 3 to 6 cm long, with almost invisible lateral veins, smooth, with an acute base and sub-rounded apex.
The flowers are small, arranged in inflorescences along the woody branches, sometimes up to the main stem, with white petals and long stamens. The flowers are perfumed, with four petals, formed between July and September. The fruit are stuck to the trunk (therefore the resemblance to jabuticaba and the codename), and ripening occurs at different times, depending on the location. In Piauí, it was registered between the months of March and June; in Bahia, between July and December. The fruit is 2-3 cm in diameter, berry-type, globose or oblong, with thin skin, containing 1-3 seeds, weighing between 18 and 30g. When ripe, it can be black or yellow in colour, the pulp is orange in colour, juicy, with a sweet and pleasant taste.

In their areas of occurrence, the communities distinguish two varieties: the black puçá, more rare, and the yellow puçá, more common.

Its leaves are used in folk medicine to treat ulcers, its wood is useful as firewood and charcoal. It is recommended for cultivation in orchards and in landscaping and can also be used in the recovery of degraded areas. The fruit attracts various birds and the flowers attract bees. Easy to cultivate, it should be planted in full sun, accepts most soils, except soaked ones. In the region of the Bahian wetlands it has been difficult to cultivate the species in activities with the local population.
The puçá is a species threatened by the agricultural frontier established in Piauí, especially in Chapada das Mangabeiras, in the region understood as MATOPIBA (acronym of the first letters of the states of Maranhão, Tocantins, Piauí and Bahia), created in 2015 and considered the last agricultural frontier of the country, emerging as a major producer of grain and fiber. According to the Matopiba Caravan, carried out in 2017 by rural social organizations and movements, the region is marked by agrarian conflicts, rights violations, and loss of biodiversity.
In the territories located in the mid-north region of Piauí state, where vegetal extractivism is prominent in the local economy, the Puçá is more common and less threatened with disappearance, but there is a threat of the expansion of conventional farming, with grain cultivation and cattle ranching.

The risk of disappearance of the puçá is, according to the report, due to the lack of cultivation, keeping the extractive practices and little valued by the local population, being more consumed by children. To this fact is added the small appropriation by the youngest of the traditional knowledge acquired empirically by the oldest.

The consumption of the puçá is mostly in natura. But it is also used to make juices, sweets and liqueurs. Puçá-preto is a potential source of vitamin C and phenolic compounds and can contribute to the daily intake of minerals, especially magnesium.
In Piaui, people often say that puçá is "a fruit from childhood", which was found in "bush raids", sold on the side of the road or in open markets.
The communities Fundo de Pasto da Bahia describe the fruit as sweet, although with organoleptic characteristics of high tannin. The fruit is consumed essentially from the foot, to the natural, during the periods of November to January.


This product was included in the Ark of Taste catalogue thanks to the Slow Food in Defense of Sociobiodiversity and Bahia’s Food Culture project.  
Realization: Slow Food Association of Brazil
Support: Bahia State Government Company for Development and Regional Action/Rural Development Secretary (SDR/CAR), FIDA/Pro-Semiárido project. 
 

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A puçá (Mouriri pusa) também conhecida como puçá-preto, puçá-preta, jabuticaba-do-cerrado, mandapuçá, manapuçá, munduru, é uma fruta nativa do Brasil, encontrada nas áreas de cerrado, vassoi e caatinga do sudeste do Pará, nordeste, centro do Brasil e Minas Gerais.
O puçá pertencente à família botânica das Melastomatáceas, é uma árvore de porte médio, costumando apresentar entre 4 e 8 metros de altura. Apresenta tronco tortuoso, com casca pardacenta a acinzentada, escamosa, descamando em placas finas. Sua copa é rala, com folhas subcoriáceas com cerca de de 3 a 6 cm de comprimento, com nervuras laterais quase invisíveis, lisas, de base aguda e ápice sub-arredondado.
As flores são pequenas, dispostas em inflorescências ao longo dos ramos lenhosos, às vezes até o caule principal, com pétalas brancas e estames longos. As flores são perfumadas, com quatro pétalas, formadas entre julho e setembro. Já os frutos são grudados no tronco (por isso a semelhança com a jabuticaba e o codinome), e o amadurecimento ocorre em diferentes épocas, conforme a localidade. No Piauí, foi registrado entre os meses de março a junho; na Bahia, entre julho e dezembro. O fruto apresenta de 2-3 cm de diâmetro, do tipo baga, globosa ou oblonga, com casca fina, contendo 1-3 sementes, pesando entre 18 e 30g. Quando maduro, pode ser de cor preta ou amarela, a polpa tem cor alaranjada, suculenta, de sabor doce e agradável.

Em suas áreas de ocorrência, as comunidades distinguem duas variedades: o puçá preto, mais raro, e o puçá amarelo, mais comum.

Suas folhas são utilizadas na medicina popular para tratamento contra úlceras, sua madeira tem utilidade como lenha e carvão. De baixa ocorrência na natureza, é recomendada para o cultivo em pomares e no paisagismo, podendo ser usada também na recuperação de áreas degradadas. Os frutos atraem pássaros diversos e as flores atraem abelhas. De fácil cultivo, deve ser plantada a pleno sol, aceita a maioria dos solos, exceto os encharcados. Na região dos brejos baianos verificou-se, em atividades com a população local, dificuldade de cultivo da espécie.
O puçá é uma espécie ameaçada pela fronteira agrícola estabelecida no Piauí, especialmente na Chapada das Mangabeiras, na região compreendida como MATOPIBA (acrônimo das primeiras letras dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), criada em 2015 e considerada a última fronteira agrícola do país, despontando como grande produtora de grãos e fibras. Segundo a Caravana Matopiba, realizada em 2017 por organizações e movimentos sociais do campo, a região é marcada por conflitos agrários, violações de direitos e perda de biodiversidade.
Nos territórios localizados no meio-norte do estado do Piauí, onde o extrativismo vegetal tem destaque na economia local, o puçá é mais comum e menos ameaçado de desaparecimento, porém paira a ameaça da expansão da agropecuária convencional, com o cultivo de grãos e da pecuária bovina.

Destacando a região de procedência na Bahia, o risco de desaparecimento do puçá se apresenta, segundo relato, pela falta de cultivo, mantendo as práticas extrativistas e pouco valorizadas pela população local, sendo mais consumida pelas crianças. A este fato se soma a pequena apropriação pelos mais jovens dos conhecimentos tradicionais adquiridos empiricamente pelos mais velhos.

O consumo do puçá se dá, na sua maioria, in natura. Mas também é utilizado para fazer sucos, doces e licores. O puçá-preto é uma fonte potencial de vitamina C e de fenólicos e pode contribuir para a ingestão diária de minerais, principalmente o magnésio.
No Piauí, as pessoas costumam dizer que o puçá é “uma fruta da infância”, que era encontrada nas incursões “ao mato”, vendidas na beira das estradas ou em feiras livres.
As comunidades Fundo de Pasto da Bahia descrevem a fruta como adocicada, embora com características organolépticas de elevado tanino. O consumo é essencialmente do pé, ao natural, durante os períodos de novembro à janeiro.


A inserção deste produto no catálogo da Arca do Gosto foi possível graças ao projeto Slow Food na Defesa da Sociobiodiversidade e da Cultura Alimentar Baiana.  
Realização: Associação Slow Food do Brasil
Apoio: Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional/Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR/CAR) do Governo do Estado da Bahia, projeto FIDA/Pró-Semiárido. 


Territory

StateBrazil
Region

Bahia

Piauí

Other info

Categories

Fruit, nuts and fruit preserves

Nominated by:Júlia do Rêgo Aires e Revecca Tapie