Bicho-da-taquara

Arca del Gusto
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Takuaraxó, kutakut, vugá e taquaporu

Il nome generico bicho da taquara si usa più generalmente per indicare molte larve commestibili appartenenti a diverse specie di insetti; nonostante ciò, alcune popolazioni indigene usano il termine bicho per le larve della falena Myelobia smerintha.

Si tratta di una falena appartenente all’ordine dei Lepidotteri e che vivono all’interno della cavità delle taquaras, una specie locale del bambù tropicale. Questa pianta è molto utilizzata dalle popolazioni locali che vi realizzano strumenti di lavoro, contenitori oppure cestini.

La fioritura di questo bambù rappresenta un momento importante poiché segnala il giusto momento della raccolta delle larve, esattamente prima che queste si trasformino definitivamente in falene. Al termine del periodo della fioritura il bambù secca e muore, le falene cresciute lasciano quindi i loro nascondigli. Per raccogliere le larve bisogna tagliare e poi aprire le canne del bambù, dopodiché si raccolgono a mano.

Le larve possono essere consumate crude oppure fritte in padella nel loro stesso grasso; prima di consumarle però bisogna rimuovere sia la testa che parte dell’intestino, parti ritenute velenose. Le larve hanno una consistenza grassa e cremosa.

Le larve sono una fonte di cibo molto importante per le popolazioni indigene Maxakalis, Guarani e Kaingangs, poiché sono molto ricche di proteine e grassi facili da assimilare. Inoltre, queste larve ricoprono un ruolo importante nella mitologia indigena di queste popolazioni, oltre che nella loro alimentazione e medicina.

La minaccia più grave all’esistenza del bicho del bambù taquara è la degradazione dell’habitat naturale di questa pianta, ovvero la foresta atlantica. Infatti, le comunità locali denunciano una difficoltà nel trovare questa pianta e di conseguenza le larve.

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Bicho-da-taquara é uma denominação comum para larvas de mais de uma espécie de insetos, mas especialmente da mariposa Myelobia smerintha, da ordem lepidoptera (do grego "lépido" = escama, e "ptero" = asa), família dos piralídeos, que habitam o espaço oco no interior das taquaras. São lagartas esbranquiçadas e compridas, consumidas cruas (após retirada do tubo intestinal e da cabeça) ou fritas em sua própria gordura. Fazem parte da cultura e da tradição de diversos povos indígenas brasileiros.

Taquara é o nome dado a algumas gramíneas nativas do Brasil, da família dos bambus, que produzem varas com caules ocos e segmentados em gomos, de cujas interseções se desprendem as folhas. São utilizadas há séculos pelos povos nativos da América do Sul, como recipientes, como canudos para construção de instrumentos e ferramentas, como vigas e travessas leves para a construção de habitações, cercas ou paliçadas para a contenção de aves e pequenos animais e, principalmente, com suas lascas, para feitio de cestas e balaios.

A sabedoria popular indica que a floração das taquaras está relacionada com o ciclo de vida do bicho-da-taquara, pois sinaliza o momento para a coleta das larvas, antes que se transformem em mariposas. Depois da frutificação, todo o taquaral seca e morre ao mesmo tempo e as mariposas deixam seus esconderijos ao interno dos gomos para completar o seu ciclo de reprodução.

O momento da coleta é celebrado pelos povos indígenas, que conhecem o ciclo de vida desses insetos e de suas plantas hospedeiras e aguardam pacientemente este sinal da natureza. É preciso cortar e abrir as varas de taquara para encontrar a iguaria.

A importância e uso desses insetos foi registrado em relatos históricos de diversos cronistas, pesquisadores e personalidades que visitaram o Brasil no período colonial. As larvas forneciam alimento para as populações indígenas, assim como para os colonizadores, garantindo a sobrevivência dos membros das expedições de conquista.

Os bichos-da-taquara são comidos frescos e crus, após a remoção correta da cabeça e tubo intestinal, ou então fritos na panela na própria gordura que soltam do seu interior. Possuem textura gordurosa e cremosa, suculenta, comparada a um creme delicado. Quando fritos, os sabores se intensificam e adquirem textura crocante. Deve-se evitar consumir os insetos encontrados mortos, sobretudo sem cozinhá-los. Taquaras com vermes recém-colhidas podem ser assadas diretamente na brasa ou nas chamas de uma fogueira. Os relatos e registros históricos indicam que é possível desidratar os insetos, com particular uso medicinal, xamânico e terapêutico. Também é possível extrair a gordura por derretimento e conservá-la em recipiente hermético para utilização culinária e cosmética. É um alimento considerado sagrado e deve ser utilizado com respeito e com cautela.

Povos indigenas Maxakalis, Guarani e Kaingangs relatam a dificuldade crescente em encontrar taquaras e, consequentemente, a larva. O inseto faz parte da cosmologia destes povos, assim como da alimentação e da medicina. A dificuldade de encontrar taquaras nos poucos fragmentos remanescentes da Mata Atlântica é também um dos motivos que coloca aves granívoras como o pararu, o pixoxó e a cigarra-verdadeira em risco de extinção. Ao mesmo tempo, a mariposa Myelobia smerintha passou a ser considerada uma “praga” nas plantações de cana-de-açúcar da Colômbia, Venezuela e no Peru, fornecendo um indício do desequilíbrio ambiental, que força a espécie a se readaptar diante da supressão de seu habitat nativo.

O bicho-da-taquara é um alimento citado na literatura há mais de 450 anos, mas ainda pouco conhecido pelos pesquisadores e pela população. Para mudar esse quadro, é preciso compreender melhor o ciclo de vida e o comportamento destes insetos e buscar formas para proteger o seu habitat natural. O conhecimento tradicional indígena é a base fundamental para isso. Os aspectos socioambientais, culturais e alimentares devem guiar as pesquisas. Só assim, será possível resgatar a memória do gosto e a experiência desse alimento raro, saboroso e com profundo significado simbólico e cultural.

Territorio

NazioneBrasile
Area di produzione:Mata Atlântica, regioni sudorientali e meridionali del Brasile

Altre informazioni

Categorie

Insetti

Comunità indigena:Maxakali, Guarani e Kaingang
Segnalato da:Marcelo de Podestá