L’Aluà è una bevanda che si prepara e si beve solo durante la "Parata di Aluà", una festa tradizionale che si svolge nel quartiere di Morro Vermelho nel comune di Monte Claros. Questa parata si tiene ogni anno durante la festa della Madonna del Rosario. Le origini della bevanda sono sempre in discussione: alcuni storici ne attribuiscono la paternità alle comunità portoghesi o spagnole, altri, a quelle indigene.
A Morro Vermelho la preparazione e consumazione dell’Aluà sono storicamente attribuite agli schiavi. Secondo alcuni documenti, l’evento nasce nel quartiere durante il XVII secolo su iniziativa degli schiavi portati nella regione dall’Africa per lavorare nelle miniere. L’evento comprendeva riti tribali, balli e danze al ritmo del Candombe. Durante queste cerimonie, strumenti con sonorità molto specifiche evocavano i lamenti degli africani diventati schiavi che soffrivano di nostalgia per la loro terra d’origine. Dopo il rituale, i partecipanti bevevano l’Aluà in bicchieri di argilla. La cerimonia si teneva di notte, al chiaro di luna, motivo per cui la bevanda si chiama “Aluà”.
La sua incidenza è stata osservata in tutta la regione di Caeté, ma la tradizione si è mantenuta solo nel distretto di Morro Vermelho, grazie alla Confraternita della Madonna del Rosario. La Confraternita la ripropone in occasione della festa della Madonna a Morro Vermelho nel mese di ottobre, durante la quale si svolge la sfilata che percorre le vie centrali del quartiere.
Originariamente l’Aluà si otteneva dalla fermentazione degli scarti della frutta. In seguito si è diffuso l’uso di ananas e di zucchero di canna. La ricetta attuale prevede quindi l’uso dei seguenti ingredienti: ananas, zucchero di canna, farina di manioca. La preparazione richiede che si mescolino i tre ingredienti, e si lascino fermentare per una settimana per poi aggiungere nuovamente dello zucchero.
La bevanda risulta torbida – con un colore misto tra il giallo e il marrone – e il suo consumo è permesso ai giovani e bambini. Deve essere servita molto fredda per avere un effetto molto rinfrescante.
Tanto a origem do produto quanto a etimologia da palavra geram controversas, uma vez que existem preparações similares entre os povos africanos e indígenas brasileiros, assim como no continente europeu e asiático.
A África possuiu um vasto leque de bebidas fermentadas, que tem como base cereais autóctones, seivas de palmeiras e frutas fermentadas, mais tarde adaptadas aos novos produtos originais da América, como o milho e o abacaxi.
É o caso da kissanga, bebida caseira tradicional do povo Ovimbundu, no sul de Angola. Dependendo da região, o ingrediente básico da kissanga pode variar, mas hoje, os mais comuns são o milho e o abacaxi. Frequentemente vendida em locais públicos em Angola, esta bebida tem sabor agradável e refrescante.
Os portugueses possivelmente conheciam algo próximo ao kvass, das culturas bálticas e eslavas (Rússia, Ucrânica, Polânia, etc), onde a fermentação induzida por um pedaço de pão de centeio ou outro cereal em água, pode ser acrescida de especiarias, aromas e, em algumas versões, beterraba. Esta influência pode ter sido a origem do “aluá de pão”, presente até hoje no interior do Ceará.
Porém, é certo que também os indígenas brasileiros preparavam bebidas fermentadas de milho, mandioca e frutas nativas, como o abacaxi. As técnicas de fermentação variavam de acordo com as regiões e ingredientes (induzidas a partir das enzimas da saliva, no caso do caium de mandioca ou de milho, ou com leveduras espontâneas, como no caso do pajuaru, caxiri e outros).
O Aluá no Brasil Colônia
“O milho demorado n'água depois de três dias dá a esta um sabor acre, de azedume, pela fermentação. Coa-se a água, adicionam-se pedaços de rapadura e, diluída essa tem-se bebida agradável e refrigerante, pelo mesmo processo se prepara o aluá da casca do abacaxi."
(Manuel Querino - Costumes Africanos no Brasil).
O aluá ou aroá conquistou bastante popularidade em meados de 1800, não só entre as classes mais baixas, mas também entre as mais abastadas. Com teor alcoólico geralmente baixo, a bebida era consumida por crianças e adultos, vendida nas ruas durante as celebrações religiosas e festejos.
Câmara Cascudo cita França Junior, cronista da época que, escrevendo em novembro de 1881, dizia: "O pote de aluá saía para o meio da rua, e o povo refrescava-se ao ar livre, a vintém por cachaça". Em 1897, Eloy de Souza reafirmava: "o aluá é bebida muito comum no Rio de Janeiro de então. Vendiam-no em pequenos potes de barro, muito limpos, à cabeça das negras velhas."
O autor conta também que a bebida adquiriu status e ganhou fama na Corte de D. Pedro I, durante o Primeiro Império brasileiro, onde refresco foi consumido até surgirem, mais adiante, outros substitutos mais modernos.
O aluá acompanhou a ocupação e colonização do Nordeste brasileiro, em estados como Bahia, Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Nestas regiões, a preparação era prática comum durante as celebrações católicas e juninas do mês de junho e julho, preparado em ambiente doméstico e distribuído nas procissões e festejos.
O fermentado também está presente nos rituais e nos terreiros de comunidades da religião afrodescendente no estado da Bahia, onde é preparado e oferecido às divindades e aos participantes durante as celebrações.
Da forma como o conhecemos hoje, o aluá é o resultado dessa mistura e influência de diferentes culturas e de diferentes práticas regionais. Sua preparação resiste com formas particulares em algumas regiões brasileiras, mas especialmente no povoado de Morro Vermelho, em Caeté, região metropolitana de Belo Horizonte - MG.
O Aluá de Morro Vermelho
Em Minas Gerais, a tradição do aluá é mantida viva no povoado de Morro Vermelho, distrito de Caeté, a cerca de 50 km de Belo Horizonte.
De acordo com o registro divulgado pelo Portal do Patrimônio Imaterial de Minas Gerais, a manifestação cultural na região teve início ainda no século XVII, a partir da influência de populações africanas trazidas como escravos para o trabalho nas minas.
Estas comunidades realizavam rituais e danças ao sons de instrumentos tradicionais e consumo de aluá, produzido a partir da fermentação de frutas, restos de alimentos e rapadura, servido em copos e tonéis de barro. A manifestação que ocorria em horários noturnos, sob a luz da lua, pode ter sido a origem do nome aluá, de “luar”.
Em Morro Vermelho, a bebida é consumida durante a Festa de Nossa Senhora do Rosário, que ocorre anualmente no mês de outubro. Faz parte das celebrações o “Cortejo do Aluá”, procissão com ampla adesão popular, que percorre as ruas centrais do distrito, carregando estandartes, cantando e tocando instrumentos como a zabumba e o chique-chique.
O cortejo é concluído com a ingestão do Aluá, servido pelo “Juiz” (membro escolhido a cada ano pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário para financiar a bebida e distribuí-la aos participantes do cortejo). A distribuição do Aluá é rigorosamente gratuita, e a bebida é consumida por crianças e adultos.
Há relatos que registram o consumo de aluá em toda a região de Caeté, mas a tradição se mantém preservada apenas no distrito de Morro Vermelho, sob organização da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário.
Independente das variações regionais e diferentes ingredientes na receita, esta bebida e suas variações fazem parte da cultura indígena e popular brasileira, sobretudo aonde persiste a sua ligação com festas e rituais tradicionais e cerimônias religiosas.
Valorizar o aluá é, ao mesmo tempo, garantir a manutenção de uma tradição milenar indígena, o fortalecimento da cultura das populações tradicionais, quilombolas, popular e nordestina e difundir uma bebida saudável, saborosa e democrática.
Por se tratar de um fermentado caseiro, o aluá pode adquirir consistência, sabor, acidez e aspectos diferentes, de acordo com os ingredientes, a preparação e o tempo e intensidade da fermentação.
O característico sabor levemente ácido, fresco, que pode ir do seco ao doce, do encorpado ao diluído, acompanha aromas de levedura, de ácido lático, de fruta madura e fruta decomposta, de flor e de cereal. A aparência é turva e a coloração mista entre o amarelo e o marrom.
A bebida pode ser consumida sozinha, em diversas etapas do processo de fermentação (mais ou menos tempo), adoçada ou não, gelada ou a temperatura ambiente. Pode ser usada como base para sucos, vitaminas, drinks e outros preparos. A segunda fermentação pode ser induzida com adição de mel ou açúcar em garrafa tampada, para produzir uma bebida gasosa, similar a uma cerveja lambic, uma cidra ou um espumante natural.
Também é possível experimentar adicionando ervas, especiarias e outros ingredientes durante a fermentação ou maturação da bebida, para produzir sabores e combinações diferenciadas.