Taiá

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Taiá (Xanthosoma sagittifolium), also said mangarito, from the Araceae family, comprises about 100 genuses and 1500 species, distributed among different regions of the planet, mainly in humid and shaded areas of the tropics. O CORREA (1978) describes this plant with an upright green stem, about 1 m tall, with oval-sagittate leaves (heart shaped) of between 40-50 cm in length and a bit less in width, with semi-oval tubers covered in small roots. It has lateral venation on the leaves, which reunite in a collective main vein; the peduncle has about 20 cm in length and 1 cm in width. The main illness affecting the taiá is bacteriosis, Erwinia for example, commonly known as “murchadeira”, as identified by the laboratory of phytopathology of the Centro de Ciencias Agrarias in Florianopolis. However, this illness does not affect plants growing in the shade.

The leaves of plants of the Xanthosoma genus have a high potential of supplying minerals, a fact little known by the general population. The leaves can also be used for food, cooked with caruru, and the younger, recently opened leaves are more flavorful, less pungeant and recommended because they have lower oxalic acid content – this acid is abundant in older (larger) leaves and can lead to stomach upsets or symptoms of asphyxia in very old leaves.

In Santa Catarina, the production is concentrated on the North Coast (Joinville), middle and upper Vale do Itajai, Greater Florianopolis, Central Coast (Antônio Carlos e São Pedro de Alcântara, Biguaçú, Santo Amaro da Imperatriz, São Pedro de Alcântara, Tijucas e Urubici), the main production counties being Antônio Carlos e São Pedro de Alcântara
The tradition of growing this plant in the Itajai Valley is very old, as it had been grown by many generations of the indigenous people and then by European immigrants. The name of the city of Itajai most probably comes from the taia trees, it was named Itajahy by the natives – Taia River.
The growers have identified five taia species, two of which are most commonly known and used: white and purple taia. The white variety is reputed the best, as it has a higher water content, whereas red taia becomes very firm after boiling and cooling and is therefore not suited for consumption. Poleiro taia emits a chicken-coop-like smell when cooked. The poleiro taia can be identified by the black stripe on the internal side of its petiole. The producers use their senses (of smell and touch, etc.) to identify the plants, according to MARTIN (1995). Taia louco (crazy taia) is even considered unfit for animal consumption, as its leaves can lead to intoxication in pigs, occasionally leading to the death of the animals. Its main characteristic is its dark green color.

In the valley, only the tuber is commonly consumed, whereas along the coast also the leaves, often known as taioba, are eaten.

The recommended months for planting are August, September and October, and the latter is considered the best month. Harvest is in the months of May, June and July, and the plants can be left on the ground for later picking. The best soils for growing taia are young ones, obtained by slash-and-burn practices on hillside slopes, with low humidity content. Ways of cultivation vary: they can be associated with banana, cará, coffee, orange trees and other plants, to take advantage of their shade.
Producers report that the association of taia with cará (yams) was common during times of their grandparents, many years ago. When associated with cará, the taiá plants are spaced out 1x1m and, between the rows of taiá, a cará is planted every 2m. Between 10 and 15 plants are needed to fill a 20 kg box. Considering these numbers, the estimated yield is of 16 t/ha.

The product can still be found on many markets in the State of Santa Catarina. However, production is highly concentrated on a very limited variety of tubers, like manioc, potato and sweet potato, which permeate a large part of the consumer’s markets, leaving little space for native and traditional tubers, sold only on small fairs for family farm and colonial products, meaning that year after year and generation after generation the knowledge of cultivation and preparation of these products is being lost.
During winter time, taiás start appearing on the tables of the inhabitants of the entire Itajai Valley. In Joinville, for example, taiá gnocchis are a common dish. In Ilhota and rural areas of the Itajai Valley, taiá is prepared as taiá käse (melted cheese brought to the area by German immigrants, served with cooked taiá). The preparation of taiá leaves is more common among Azorean immigrants, who fry them like spinach, until they fall apart, or mix it into morcela (sausage) stuffing. The leaves chosen for consumption have to be young and of a light color, and the cooking water has to be changed three times to ensure the elimination of calcium oxalate crystals.

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A taiá (Xanthosoma sagittifolium), da família Araceae, possui em torno de 100 gêneros e 1.500 espécies, distribuídas em diversas regiões do planeta, principalmente nos trópicos, em ambientes úmidos e sombreados. O CORREA (1978) define esta planta como possuindo um caule ereto, com cerca de 1m de altura; com mais ou menos 1m de comprimento, verde; folha oval-sagitada, como um coração, com 40 – 50cm de comprimento, um pouco menor na largura, com tubérculos semi-ovais coberto de pequenas raízes.Possui nervuras laterais na folha, reunidas em nervura coletiva; pedúnculo com cerca de 20cm de comprimento por 1cm de espessura. Conforme a espécie, os túberos secundários podem atingir até 15 a 25cm de comprimento, de forma globular, oval, cilíndrica, e elíptica.A principal doença que ataca o taiá é a bacteriose, identificada no laboratório de fitopatologia do Centro de Ciências Agrárias, em Florianópolis, como sendo Erwinia, a qual os agricultores conhecem popularmente como “murchadeira”. Entretanto, esta doença não ocorre quando se sombreiam as plantas nos consórcios.
As folhas das plantas do gênero Xanthosoma apresentam um alto potencial de fornecimento de minerais, que é desconhecido para a maioria de nossa população. As folhas também podem ser usadas como alimento, cozidas como carurú, e as folhas mais novas, recém abertas, são as mais saborosas, menos agressivas no sabor e recomendadas por conterem menor teor de ácido oxalico - a presença deste ácido é abundante em folhas mais adultas (maiores) e pode gerar desde incomodos à sensação de asfixia nas folhas muito antigas.
Em Santa Catarina, a produção está localizada no Litoral Norte (Joinville), Médio e Alto Vale do Itajaí, Grande Florianópolis, Litoral Centro (Águas Mornas, Alfredo Wagner, Antônio Carlos, Biguaçú, Santo Amaro da Imperatriz, São Pedro de Alcântara, Tijucas e Urubici), sendo Joinville, Antônio Carlos e São Pedro de Alcântara os principais municípios produtores.
A tradição de manejo desta planta no vale do Itajaí é muito antiga, sendo cultivada por várias gerações de indígenas e posteriormente imigrantes Europeus. O nome da cidade de Itajaí é dado por muitos devido à presença dos Taiás, sendo nomeada pelos indigenas como Itajahy - Rio dos Taiás.
Os produtores identificaram cinco espécies de taiá, sendo duas as mais conhecidas e usadas: taiá branco e o taiá roxo, sendo o branco considerado o melhor, pois possui maior teor de umidade. O taiá-vermelho depois de ser cozido e frio, torna-se muito rígido e pouco adequado ao consumo. O taiá poleiro quando cozido exala um cheiro de galinheiro. A identificação visual do taiá poleiro é através de uma faixa preta que as plantas possuem na parte interna de seu pecíolo. Constatou-se que os produtores utilizam os sentidos (tato, olfato, etc.) para proceder a identificação, conforme MARTIN (1995). O taiá louco é considerado também impróprio para o consumo de animais, pois suas folhas podem causar intoxicação em suínos, com ocorrência relatada de morte de animais. Sua característica é a intensa cor verde escura da planta.
No Vale, o tubérculo é amplamente consumido, enquanto no litoral, consome-se também as folhas, muitas vezes chamada de Taioba.
Para o plantio, os meses de agosto, setembro e outubro são recomendados, sendo outubro considerado o melhor mês. A colheita é realizada nos meses de maio, junho, julho, e as plantas podem ser deixadas no solo para serem colhidas mais tarde. Os solos preferenciais para seu cultivo são áreas novas, de coivara, de encosta, com menor teor de umidade As formas de cultivo variam: pode ser consorciado com a cultura da banana, com a cultura do cará, com café, laranja e outras plantas altas, para aproveitar a sombra.
Os produtores reportaram que o consórcio de taiá com cará (como é chamado o Inhame em diversos locais em Santa Catarina, não é o cará aéreo) era feito por seus avós, há muitos anos atrás. No consórcio com o cará , as plantas de taiá são espaçadas de 1 x 1m e entre as filas do taiá, é inserida uma planta de cará a cada 2m. É necessário colher 10 a 15 plantas para encher uma caixa de 20kg. Levando-se em conta este cálculo, pode-se estimar um rendimento de 16 ton/ha.
O produto ainda é encontrado em boa parte das feiras do estado de Santa Catarina. As produções se concentram muito em poucas variedades de raízes e tubérculos como o aipim, a batata e a batata doce, pois permeiam melhor nos grandes mercados consumidores, deixando os tubérculos nativos e tradicionais em segundo plano sendo somente comercializados em pequenas feiras de agricultura familiar e produtos coloniais, fato que está fazendo com que ano após ano, geração após geração, o conhecimento de cultivo e preparo destes produtos vá desaparecendo.
Em todo o Vale do Itajaí, no período de inverno, os taiás estão presentes nas refeições dos moradores e camponeses. Em Joinville, por exemplo, é comum o preparo de nhoque de taiá. Em Ilhota e locais rurais do Vale do Itajaí, o taiá é preparado na forma de taiá käse (queijo fundido da imigração alemã com o taiá cozido). O preparo das folhas de taiá é mais conhecido por produtores de origem açoriana, que o utilizam refogadas como espinafre, até que desmanchem, ou no preparo de morcela (lingüiça) como parte de seu recheio. As folhas escolhidas para o preparo devem ser bem novas e de cor clara, e a água de cozimento deve ser trocada três vezes por segurança, para eliminar os cristais de oxalato de cálcio.

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Nominated by:Maria Ribeiro Capai, Claudia Nunes de Mattos, Thiago Dias Francisco, Jaqueline Guesser Todescato
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